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Para otimizar a estética da restauração definitiva, a espessura mínima do preparo na região vestibular fica entre 1,0 e 1,5 mm dependendo do material definitivo escolhido. Para resistir adequadamente às forças mastigatórias, uma espessura mínima de 1,0 mm na lingual é necessária na região anterior superior, e uma espessura oclusal de quase 2,0mm é necessária nas regiões posteriores. Manter estes valores impede de preparar os pilares novamente na fase da moldagem final. Os espaços criados desta forma devem ser compatíveis com a espessura da restauração funcional, reembasada após os preparos definitivos.
 


Região anterior
Região vestibular

Espessura incisal reduzida   Se o posicionamento da borda incisal parece correto, a espessura vestibular é medida na região cervical e também ao nível incisal após a provisória ser removida da boca e antes dos preparos definitivos serem realizados. Na ausência de um espaço suficiente para conter o material restaurador final, os preparos dentários preliminares devem ser modificados adequadamente. Se o clínico não percebe a falta de espaço, o técnico fica sem espessura necessária para estratificar a cerâmica e compelido para vestibularizar a restauração, modificando assim o perfil incisal. Isto pode gerar uma sensação desagradável de obstáculo para o paciente, que é detectável durante a pronúncia do som do "F" a partir da posição da margem incisal superior que, ultrapassando o limite da vermelhidão do lábio inferior, causa um desconforto estético – funcional  considerável. Durante a fase do biscuit, numa tentativa de atender às solicitações do paciente, o clínico é forçado a retificar o contorno vestibular excessivo com risco de comprometer definitivamente a caracterização cerâmica. Se, em vez disto, o clínico percebe a espessura reduzida, mas julga desnecessário aprofundar o preparo dentário devido ao risco de enfraquecimento excessivo da estrutura residual, ele pode aumentar a espessura vestibular da restauração provisória. Neste momento, é necessário testar a restauração provisória clinicamente por 03 a 4 semanas antes de usá- la como referência para restauração definitiva, verificando assim a adaptação estética e funcional do paciente nesta nova situação.


A espessura de cada um dos preparos preliminares é verificada antes de o preparo definitivo ser realizado.


Na ausência de uma espessura adequada na região lingual, uma broca em forma de futebol americano é usada para acentuar a curvatura lingual.

Espessura cervical limitada  Um preparo cervical com menos de 1,0mm de espessura é difícil de ser identificado apenas pela observação da restauração provisória , em virtude da natureza da resina acrílica. Se a restauração definitiva for uma metalocerâmica, uma espessura insuficiente tornaria a restauração mais opaca nesta área. Se a escolha restauradora for pelas restaurações em cerâmica pura, uma espessura limitada em alguns casos reduz perigosamente a resistência.

Região Ântero – superior
Região lingual

Idealmente, uma vez finalizado o preparo, deveria haver uma espessura mínima de 1,0mm na concavidade lingual superior. Entretanto, a quantidade de overjet e overbite geralmente é decisiva na obtenção deste valor. Na região Ântero – superior, também é necessário avaliar não apenas o espaço oclusal na fase estática (MI ou RC), mas também o espaço presente durante os movimentos excursivos, que pode mudar com o tempo. É comum verificar que a concavidade lingual, desenhada para otimizar o guia anterior nos dentes superiores quando a restauração provisória é posicionada, geralmente se torna inadequada em poucas semanas devido à abrasão da resina acrílica e/ou da extrusão dentária. Somente após uma avaliação cuidadosa da espessura da restauração provisória nesta área, o clínico deve corrigir o preparo lingual utilizando uma broca em forma de bola de futebol americano, redefinindo o espaço necessário para a finalização do preparo. Numa situação oposta, com espessuras inadequadas, já que a concavidade na resina acrílica não pode ser reproduzida com o material definitivo, o técnico precisa espessar a área lingual arbitrariamente modificando completamente o padrão de desoclusão encontrado na restauração provisória. Isto força o paciente a se adaptar à nova situação clínica no trabalho definitivo, com possíveis restrições no desenvolvimento da função que pode gerar desconforto, dificuldade fonética, mobilidade dentária e problemas articulares. Para consertar esta inconveniência, geralmente verificada depois do trabalho cimentado, o clínico pode optar por modificar a superfície da concavidade lingual das restaurações  definitivas diretamente na boca. Se as restaurações metalocerâmicas forem escolhidas, estes refinos podem expor o opaco, que é mais abrasivo do que a dentição natural. Se, por outro lado, forem usadas restaurações metalocerâmicas, estas modificações poderão reduzir significativamente sua resistência.

A mensuração da espessura da restauração provisória, realizada após o reembasamento nos preparos dentários definitivos, impede problemas funcionais e enfraquecimento estrutural da restauração definitiva. Ainda, isto exclui a necessidade de fazer reembasamentos significantes na consulta das moldagens finais, 3 a 4 semanas mais tarde.

Fonte: Tratamento Protético Volume 2
Autores: Mauro Fradeani / Giancarlo Barducci

Preparo adequado da concavidade lingual superior que permite o desenvolvimento de um guia anterior ideal, que de outra forma ficaria inadequado, se o preparo nesta área não é finalizado conforme ilustração.